segunda-feira, 17 de maio de 2010

Polinização cruzada e Tecnologia Terminator

Uma das grandes preocupações em relação às plantações de OGM’s é a possibilidade de ocorrer polinização cruzada entre plantas OGM’s e as, digamos, “normais”. E isto acontece na verdade, devido ao simples facto do pólen conseguir percorrer longas distâncias, assim os gâmetas das plantas “normais” e os das g.m cruzam-se e podem dar origem a plantas g.m nas plantações de plantas “normais”. Isto pode gerar três problemas:
1. Ao fim de algum tempo a plantação “normal” passa a ter apenas plantas geneticamente modificadas, visto que estas são mais resistentes que as “normais”;

2. As empresas que produzem plantas g.m patenteiam as sementes, querendo isto dizer que a empresa poderá processar e pedir ao dono da plantação “normal” (que passou a ter plantas g.m) para pagar uma indeminização.

3. Se a polinização se der fora de uma área controlada, poderemos assistir ao início de uma nova praga, visto que as plantas g.m foram feitas mais resistentes.
Por isto foram realizados vários estudos para definir a distância de segurança entre as plantações de OGM’s e as “normais”. E as empresas começaram também a produzir plantas estéreis, inserindo um gene nas plantas que impede a produção de pólen viável, para minimizar os riscos de polinização cruzada (é de reparar que mesmo sendo estéreis há ainda a possibilidade das plantas se reproduzirem, pois estas não se reproduzem apenas sexuadamente, mas assexuadamente também, daí minimizar e não eliminar os riscos).
Mas esta alternativa não foi vista com bons olhos, pois obriga os agricultores a comprarem sementes todos os anos (visto que as plantas não se reproduzem e não duram para sempre). Recebeu assim esta prática o célebre nome de Tecnologia Terminator (Tecnologia Exterminadora), pois foi vista como uma tentativa de extorquir o dinheiro dos agricultores. Mas mesmo apesar desta prática ter sido condenada, as empresas continuam a utilizá-la… Ora claro! O que é que eles têm a perder? … Absolutamente nada, aliás, só têm a ganhar.

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